A Columbofilia nos Açores: a mesma paixão, um contexto competitivo diferente

No passado sábado, o jornal Record ter deu destaque à realidade columbófila açoriana. A FPC também conversou com o columbófilo Luís Soares, um dos entusiastas deste desporto no arquipélago.

Na Ilha de São Miguel há duas coletividades, o Clube Columbófilo de São Miguel (CCSM) e o Clube de Amigos da Columbofilia do Nordeste (CACN). Na Ilha Terceira existe o terceiro clube açoriano, a Sociedade Columbófila da Ilha Terceira.

Luís Soares é presidente da direção do CCSM, clube fundado há 16 anos e um dos impulsionadores da columbofilia no arquipélago, estando ainda envolvido nas atividades, de cariz mais lúdico, do CACN.

– Desde quando é columbófilo?

Luís Soares (LS) – Sou columbófilo há vários anos. Federado há cerca de 20 anos, mas já tinha pombos-correio antes disso.

– Como chegou ao mundo da columbofilia?

LS – Acho que cheguei de forma semelhante a qualquer outro columbófilo. Comecei a ver os pombos-correio, a contactar com aqueles que já estavam ligados à modalidade, depois, pouco a pouco, fui pedindo pombos e comecei assim.

  – Sendo originário do Continente iniciou a prática da Columbofilia no continente ou já nos Açores?

LS- Em termos competitivos iniciei – me aqui, nos Açores, mas, foi no Continente, nomeadamente no Alentejo que dei os primeiros passos na columbofilia. Na altura não competia, porque a minha vida não permitia, a Faculdade, limitava-me muito o tempo disponível.

  – Como concilia a sua atividade profissional, é médico, com a prática da columbofilia

LS- A columbofilia para mim, e, julgo, que para a maioria dos columbófilos, é uma paixão e, por isso, acabamos por arranjar tempo para conciliar com a vida profissional. Gostava de ter mais disponibilidade, mas sendo o meu hobby preferido, tento projetar o meu tempo livre na columbofilia.

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Com raízes no Alentejo, o dirigente falou das suas motivações para continuar a praticar a modalidade.

Sendo a columbofilia uma modalidade de raiz popular, que motivações o levaram a praticar a modalidade?

LS- Essa é a pergunta de “um milhão de dólares”. A motivação… é transversal a toda a gente: é o gosto pelo pombo-correio, a paixão pela criação dos animais, é ver as chegadas após anos de trabalho. É algo que nos motiva, ano após ano, a continuar a prática da modalidade. A raiz eu não sei, mas as motivações são estas.

Considera a columbofilia um desporto sem qualquer tipo de faixa etária, profissão ou proveniência definida, ou seja, um desporto transversal e universal ao nível dos seus praticantes?

LS- Sim. Em qualquer lado se pode praticar, dos 8 aos 80 anos, independentemente da classe social. Vemos, nos columbófilos, que há todo o tipo de proveniências. Há outro aspeto interessante: por muito dinheiro que se tenha e se queira investir, há que saber tratar dos pombos, ainda existem aqueles pequenos “ segredos”, que têm muita influência nos resultados finais. Tudo isto faz da columbofilia um desporto transversal e universal.

Quantas coletividades columbófilas existem nos Açores e em que Ilhas estão sediadas?

LS- Como vivo em São Miguel, sei mais sobre a columbofilia desta zona, um bocado menos das outras ilhas. Aqui funcionam dois clubes, um maior, com 23 columbófilos, que é o Clube Columbófilo de São Miguel, e um segundo, mais pequeno, que tem uma vertente mais cultural de divulgação, que é o Clube de Amigos da Columbofilia do Nordeste e são estes que, em conjunto, têm cerca de 80% a 90% dos columbófilos da ilha. Na Ilha Terceira há outro clube em atividade, com cerca de 10 columbófilos, com o qual estamos regularmente em contacto, por exemplo, para a realização do Campeonato Insular. Em tempos houve um clube na ilha do Faial, mas não tenho a certeza se ainda está em atividade. Olhando para a nossa realidade, podemos dizer que a grande atividade se passa aqui, em São Miguel e depois, em menor escala, na ilha da Terceira.

Existe alguma razão especial  para essa localização dos clubes?

LS- Sim. A ilha de São Miguel é a maior do arquipélago, portanto mais de metade da população dos Açores, obviamente, que, assim tem mais gente e mais pessoas a gostar de pombos-correio. A segunda ilha com maior densidade populacional é a Terceira, daí ter também um clube.

 A que ano remonta a  prática da columbofilia nos Açores?

LS- A nível competitivo começou, de forma ininterrupta, há 16 anos. Eu estive na génese da mesma, pois fui um dos sócios fundadores do Clube Columbófilo de São Miguel, que fez, em 2016, 16 anos, e foi o grande pioneiro na prática da columbofilia na ilha. Depois havia outros clubes que também deram o seu contributo no início, como a Associação dos Agricultores de São Miguel, que tinha uma secção de columbofilia. Existiu um Clube de Jovens Columbófilos aqui, mas em termos competitivos, com associados e com mais pessoas a fazer esta atividade foi, no máximo há 16, 17 anos.

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As diferenças entre a columbofilia terrestre e a columbofilia marítima também foram tema de conversa.

 Sendo um conhecedor da modalidade quais as principais diferenças com que se deparou entre a columbofilia praticada no Continente e nas Ilhas, neste caso concreto nos Açores?

LS- As duas realidades não têm nada de semelhante, não há pontos comuns. Nós sabemos que o pombo, na natureza, é uma ave de voo terrestre, logo, o voo marítimo necessita de aprendizagem e de um período de adaptação. Nós, columbófilos açorianos, temos feito seleção de pombos ao longo dos anos. Temos pombos dos melhores columbófilos do Continente, de Espanha, de outros países da Europa, mas é preciso percebermos que nós aqui temos de ter programas de criação para vários anos, ou seja, aqueles borrachos que vêm para cá, no primeiro ano raramente conseguem resultados, só depois de alguns anos de adaptação ao meio é que conseguem mostrar valor. A maior diferença, na minha opinião, é a coragem, é a capacidade de se “atirarem” numa solta. Isto é difícil de “ver” num pombo, mas vamos pensar no seguinte: um pombo-correio aqui, numa prova, é solto em alto –mar a 100, 150, 200 milhas da praia, sem ter um ponto de referência, só tem água. Isto requer um enorme sentido de orientação. As tradicionais categorias da columbofilia terrestre: velocidade, meio-fundo e fundo, aqui diluem-se completamente. De certa forma, aqui, uma prova de 50 milhas marítimas (representa, em linha reta, quase 100 kms) pode ser equiparada a uma de fundo. Esta é a grande diferença, outra contrariedade que temos é o facto de os pombos serem soltos numa ilha e voarem, sobre o mar, para chegarem a outra ilha só no dia seguinte. Em suma eu acho que não há nenhum ponto comum em relação à columbofilia continental.

Quantas provas realizam por época desportiva? Que meios logísticos necessitam para praticar a columbofilia?

LS- A nível de logística é bem diferente do que acontece no Continente. Nós temos, entre as duas pontas de São Miguel, um extensão territorial aproximadamente, 70 kms entre as duas pontas da ilha, as provas em terra, o máximo que poderão ter, é até essa distância. Neste caso é exatamente igual ao que se faz no Continente: uma carrinha, um autocarro e meios semelhantes, mas o nosso calendário desportivo tem mais provas. Este ano fizemos oito provas com solta na Ilha de Santa Maria, daí até São Miguel são 54 milhas, dá aproximadamente 100 kms, fizemos ainda mais 8 provas de adultos e 10 de borrachos em altura diferentes, isto para o Campeonato de Santa Maria. Agora está a decorrer o da Ilha Terceira, onde os pombos são soltos em alto – mar até à ilha, num total de 6 provas. Para tudo isto já há grandes diferenças ao nível da organização, primeiro temos aquelas provas em que os pombos são transportados em carrinhas normais, para as provas inter-ilhas temos um acordo com a SATA Açores, porque os pombos-correio vão de avião para as outras ilhas, aí, no local da solta, temos os delegados, que recolhem as aves e as soltam no dia seguinte, isto é o mais básico e o que já fazemos há 16 anos. Para as provas de alto – mar há ainda outro tipo de logística necessária, que envolve o transporte dos pombos-correio num barco ou navio, depois, são soltos a uma determinada milha, numa hora previamente definida. Existe um protocolo com uma companhia de transporte marítimo que nos faz este serviço, eles são soltos a determinadas milhas da costa, são entregues e têm a prova no mesmo dia. É muito diferente da realidade da columbofilia terrestre.

 Nos vossos calendários contemplam soltas inter-ilhas?

LS – Este ano avançámos com o 1º Campeonato Insular de Velocidade Terra – Mar – Terra. Este ano ainda sem o apoio oficial da Federação. O objetivo foi juntar os columbófilos dos clubes da Ilha de São Miguel e da Ilha da Terceira. Foram três provas na Ilha de São Miguel e três na Terceira, depois fizemos um coeficiente do qual conseguimos apurar o 1º campeão insular nessa especialidade. No futuro, e depois de termos falado com a Federação Portuguesa de Columbofilia, nomeadamente em reuniões tidas aqui, com o presidente, o Dr. José Luís Jacinto e o responsável pela área desportiva, Almerindo Mota, há a intenção de haver um Campeonato Insular com o apoio da FPC, quiçá Ibérico. Este ano foi lançado este campeonato “piloto”, porque achámos que não podíamos esperar mais e era importante envolver os columbófilos das nossas ilhas, o objetivo é envolver agora os da Madeira e os das Canárias.

A vossa época desportiva já terminou?

LS – Em termos competitivos, o nosso calendário vai até 8 de julho, data que marca o fim dos Campeonatos da Ilha Terceira. Depois temos uma outra solta, provavelmente na semana seguinte, a 15 de julho, uma prova que é a Clássica da Terceira. Em termos práticas, para terminar, faltam-nos três provas.

Deixamos um vídeo da RTP Açores, com uma entrevista em direto a Luís Soares. O programa Bom Dia Açores remonta a 3 de abril de 2009.

Um sonho e um objetivo: o Campeonato Insular Ibérico.

Falou da possibilidade de existir um Campeonato Insular Ibérico. Essa prova pode acontecer já na campanha desportiva de 2017?

LS – Claro que sim. As reuniões formais que tivemos aqui, em Abril, com a Federação, foram nesse sentido. Foi-nos lançado esse repto que nós decidimos abraçar. O objetivo é esse: a partir de 2017 haver um Campeonato Insular Ibérico, com o intuito de nos permitir ter “lugar” nas Exposições Nacionais e Ibéricas. O objetivo de qualquer columbófilo, quer seja continental ou insular, é mostrar os resultados do seu trabalho e da sua dedicação. Como referi é muito difícil fazer comparações com as provas do Continente, mas conseguimos diferenciar-nos pela positiva, com provas de 200, 250, 300 milhas náuticas, como fazem os nossos amigos da Madeira, isto em termos de mar, é, talvez, o equivalente a um grande fundo. Neste momento é muito difícil porque não existe exposição pública para este tipo de provas, não há competição organizada. Isto é o que nós queremos alterar. Vamos levar este projeto para a frente, para que as pessoas saibam que existe uma columbofilia marítima em Portugal, que não é igual à do Continente, mas que é tão competitiva como a continental.

 – Sendo o número de praticantes ainda relativamente  baixo vivem, no entanto, com grande intensidade a prática desta modalidade. Quais são  as vossas principais dificuldades?

LS- Para nós a maior, talvez seja, ao nível do transporte e dos meios para fazer as soltas. Nem sempre temos facilidade em arranjar um barco ou um navio, o que obriga a uma permanente ligação e contacto com as companhias de navegação. No caso das soltas entre ilhas, há que diligenciar o transporte aéreo. Tudo isto dificulta muito a nossa atividade, para além do elevado custo financeiro. Para atenuar estas despesas temos feito diversas parcerias, mas é difícil. O segundo grande problema está relacionado com o conseguir mostrar às pessoas, nomeadamente às do Continente, a columbofilia que se faz aqui, mostrar aquilo que de bom acontece nos Açores ao nível columbófilo. Os pombos daqui são, necessariamente, diferentes, podem ter origens semelhantes, mas estão habituados a outras condições. Estes são os nossos dois grandes constrangimentos. 

– Que opinião têm os columbófilos açorianos sobre as provas que são realizadas?

LS- Temos um ano à frente do clube, pelo que, esta é a primeira época com estes novos corpos gerentes. Tentámos e estamos a fazer um campeonato mais abrangente, com mais provas de diferentes vertentes, com distâncias e direções distintas, para poder dar aos columbófilos a opção de poder optar pela solta que mais lhe agradar, de maneira a conseguir competir e, eventualmente, vencer, nas várias categorias que existem. A opinião que recebemos tem sido positiva, as pessoas estão satisfeitas com o tipo de organização que nós temos.

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No final da nossa conversa, o dirigente falou do apoio da FPC e deixou mensagens aos columbófilos portugueses.

– Como vê a colaboração da Federação e qual o papel que esta ligação deve ter no desenvolvimento da columbofilia nos Açores?

LS- É fundamental. É impossível haver columbofilia sem estarmos ligados à Federação, esse é o primeiro facto. Em conversas com o atual presidente da FPC costumo dizer que nós, aqui nos Açores, em termos práticos, no dia-a-dia não precisamos da FPC para fazer o nosso trabalho, talvez por sermos de uma Região Autónoma, estamos habituado a “fazer tudo sozinhos”, mas apesar disto a columbofilia só será muito importante aqui, se existir uma ligação forte com a Federação. No futuro este apoio federativo é essencial, por exemplo para a realização do Campeonato Insular. Temos de “caminhar de mãos dadas”, porque é algo que é útil às duas partes.

Que mensagem gostava de deixar aos columbófilos açorianos?

LS- A todos os columbófilos açorianos gostava de pedir para não deixarem de apoiar os seus clubes e que não deixem de lutar por uma columbofilia insular unida. Se tentarmos copiar a columbofilia continental não vamos “a lado nenhum”, necessitamos é de aproveitar as potencialidades e as particularidades da nossa. Temos que usar todos os instrumentos para mostrar a qualidade da nossa columbofilia.

E para os columbófilos de Portugal Continental, qual é a mensagem?

LS- Reparem naquilo que se faz nos Açores, que é algo de meritório. Já não é uma columbofilia “de terceiro mundo”, quem vier aqui e visitar os nossos pombais, vai reparar que estão extremamente bem cuidados, com pombos-correio bem tratados e selecionados. De facto é uma columbofilia diferente, mas com muita qualidade.

 

“Pombos portugueses brilham nos céus” – Jornal Record – dia 25/06/16

No passado sábado, dia 25 de junho, o jornal Record dedicou uma página à columbofilia nacional. Os resultados da 2ª solta de Valência del Cid e o balanço do Campeonato Nacional de Fundo são os destaques do lado esquerda dá página. No lado direito, o destaque vai para a columbofilia açoriana.  As diferenças que existem nas provas organizadas nos Açores e no Continente, os aspetos logísticos que são necessários para as soltas dos campeonatos açorianos, bem como uma entrevista ao columbófilo Luís Soares, são alguns dos temas em destaque.

A FPC deixa-lhe o pdf da página que saiu no jornal.

REC11250647

A reportagem pode ser consultada online, no site do jornal, através da ligação:

http://www.record.xl.pt/modalidades/detalhe/columbofilia-pombos-portugueses-brilham-nos-ceus.html

 

Columbódromo de Mira foi o “palco” do 4º treino oficial

Os “atletas” continuam a preparação para os Campeonatos Internacionais de Mira 2016, evento que vai decorrer no próximo dia 9 de julho. Sempre com o Columbódromo Internacional Gaspar Vila Nova, em Portomar, Mira, como “centro de estágios”, decorreu, no passado domingo – 26 de junho, o 4º treino Oficial, o 2º a contar para a classificação do Pombo Ás.

No treino participaram pombos-correio provenientes de 19 países. A solta decorreu às 07:00. A distância percorrida ascendeu já aos 160 kms, com a solta a decorrer com condições meteorológicas muito favoráveis.

Deixamos algumas fotografias do treino de ontem.

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Na classificação de todos os pombos, o melhor registo foi para o pombo argentino, com a anilha nº 254100/14, da equipa argentina Risso Patron & Napolitano. Chegou às 09:08:29.6, fazendo uma média de 1245, 201 m/m . O melhor português, na mesma tabela classificativa, ficou no 10º lugar. Com a anilha nº 6226502/16, este “atleta” pertence a Ricardo Faria e chegou às 09:08:50.7, com uma média de 1241, 802 m/m.

Mais algumas imagens do treino.

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Na classificação para o Grande Prémio FCI Portugal, o 1º pombo foi argentino – de resto foi, no ranking geral o 1º -. Tem a anilha 254100/14 e pertence à equipa argentina Risso Patron & Napolitano. Chegou às 09:08:29.6, fazendo uma média de 1245, 201 m/m . O melhor pombo português ficou na terceira posição. Com a anilha nº 6226502/16, pertence ao columbófilo Ricardo Faria. Entrou às 09:08:50.7, o que equivale a uma média de 1241,802.

No Campeonato Europeu, o primeiro pombo é de origem austríaca. Com a anilha nº 301 – 520/16, pertence ao columbófilo austríaco, Franz Marchant. Fez uma média de 1244, 603, dando entrada às 09:08:33.3. O melhor pombo lusitano ficou no 14º lugar. Com a anilha nº 6422012/16, pertence ao columbófilo António Branco e chegou às 09:20:34.0, fazendo uma média de 1138, 250.

Um vídeo com os momentos que marcaram o 4º treino oficial, o 2º a contar para o Pombo- Ás.

Na classificação dos pombos -correio inscritos para o Campeonato Europeu de Jovens, o 1º no treino de ontem é italiano. Com a anilha nº 012073/16, pertence ao columbófilo do país dos Alpes, Armellini Matteo. Chegou às 09:08:34.3, o que se traduz numa média de 1244, 442 m/m. No que aos portugueses diz respeito, o melhor classificado fez o 14º registo da manhã. Pertence ao columbófilo Sérgio Carreira, chegou às 09:13:04.4, fazendo uma média de 1202, 345.

Na Liga Nacional dos Campeões, onde só participam pombos portugueses, o melhor registo da sessão foi para o pombo com a anilha nº 6248502/16, da equipa Fonsecafuros Cap. Águas. Chegou às 09:08:53.0, o que equivale a uma média de 1241,433.

Pode consultar todas as classificações de forma detalhada e completa no endereço: http://www.fpcolumbofilia.pt/Mira2016/main05.htm

As classificações do Pombo -Ás também se encontram disponíveis na página:Classificações Pombo Ás

O blog e o site da FPC vão continuar a trazer-lhe novidades de Mira. Continue atento às publicações e vá “voando” connosco no mundo da columbofilia.

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“El Maratón de las 55.000 mensajeras” – Las Provincias – 22/05/2016 -Jornal de Valência

O jornal valenciano Las Provincias fez um grande reportagem sobre a 1ª solta do Campeonato Nacional de Fundo 2016. A solta, que decorreu no passado dia 21 de maio, esteve em destaque na imprensa de “nuestros hermanos”. Um trabalho do jornalista Juan Antonio Marrahí, com uma perspetiva muito interessante e que aborda as várias fase fases da prova. De salientar o facto da solta ter merecido chamada de 1ª página na capa do jornal – está colocada no canto inferior direito.

” El Maratón de las 55.000 mensajeras” – ” A maratona dos 55.00 pombos-correio”, pode ser consultada no seguinte link.

Capa

Noticia Espanha Valencia 2016

Pode também consultar a publicação online em: http://www.lasprovincias.es/comunitat/201605/22/maraton-mensajeras-20160521235317-v.html

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Pode consultar o site geral do jornal na ligação:

http://www.lasprovincias.es/

 

44ª Exposição Nacional e Pré – Olímpica vai decorrer em Fafe

A 44ª edição da Exposição Nacional e Pré – Olímpica – 2017 vai ter como palco Fafe, a cidade situada entre as margens dos rios Vizela e Ferro. A organização, que está a cargo da Associação Columbófila do Distrito de Braga (ACD Braga), promete que a cidade fafense, que é conhecida como ” a sala de visitas do Minho”, está preparada para acolher o evento, que decorre entre 6 e 8 de Janeiro de 2017. 

A FPC esteve à conversa com o presidente da direção da ACD Braga, José Luís Barros, columbófilo e um entusiasta da modalidade.

Qual foi a reação que teve, enquanto presidente da direção da ACD Braga, quando soube que o distrito, nomeadamente a cidade de Fafe, foi a escolhida para organizar a Exposição?

José Luís Barros (JLB) – É uma sensação de satisfação. Decidimos avançar para a candidatura porque entendemos que será algo benéfico para a nossa Associação. Temos um sentido de responsabilidade grande, sabemos o que é que “temos em mãos”, e, como tal, esperamos estar a dar um bom contributo para que a nossa modalidade desportiva, a columbofilia, dê mais um passo em frente. Esperamos que esta Exposição marque a diferença em alguns aspetos.

Falou em “marcar a diferença em alguns aspetos”. Como pretendem fazer isso?

JLB – Pretendemos que todos, sem exceção, ou pelo menos só quem não tiver acesso à Internet, em qualquer parte do nosso planeta, possam visitar virtualmente a Exposição. Vamos também ter em direto alguns momentos chave do evento. Registos fotográficos e vídeos, bem como outros materiais informativos sobre a Exposição vão estar disponíveis online. O objetivo é proporcionar a toda a gente uma visita ao evento, inclusive para as pessoas que não vão conseguir deslocar-se até Fafe. Acho que é importante levarmos a 44ª Exposição Nacional aos quatro cantos do Planeta. Noutro âmbito, damos o nosso cunho em diversas situações, como é o caso dos momentos solenes e de entregas de prémios, em que o objetivo é, para além do ato em si, juntar mais um bocado de emoção, por exemplo, através de música instrumental e sinfónica, para além da própria apresentação dos resultados e das classificações também poder ser feita em ecrã gigante, com uma apresentação dinâmica. O objetivo é “ prender” a atenção dos presentes, ao mesmo tempo que procuramos que quem vai receber o prémio se sinta ainda mais lisonjeado. Estas são algumas das apostas.

Neste momento, eventos como os Campeonatos Internacionais de Mira 2016 ou, até a própria Exposição, têm uma componente de divulgação e de produção de conteúdos multimédia mais alargada. Que importância é que a organização atribui a esta vertente?

JLB – É algo muito importante. No nosso caso, por exemplo ao nível da organização das galas para entrega de prémios distritais da ACD Braga, já apostamos nessa vertente. Ao longo dos anos fomos notando que as pessoas, realmente, têm reações muito positivas quando contactam com conteúdos multimédia. Por esta razão e pela experiência que fomos adquirindo, entendemos que nesta Exposição poderíamos ter esta componente muito presente. Um dos nossos parceiros para o evento é a Escola Profissional de Fafe, que faz parte da Associação Empresarial de Fafe, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto e, através desta cooperação, vamos ter os alunos do curso de Multimédia e Fotografia a colaborar na cobertura de todo o evento. Temos também a Fafe TV, que vai ser importante na divulgação e na colocação dos momentos-chave da Exposição online. Entendemos que o multimédia é fundamental, porque faz prender as pessoas ao evento.

Falou em dois parceiros. Quais são principais apoios e parcerias que vão ter?

JLB – Começamos pela Câmara Municipal de Fafe (CMF), que foi a primeira entidade que contactámos. Da parte da CMF o apoio foi total, por exemplo na cedência das infraestruturas necessárias. Depois temos a imprensa local, caso do Jornal de Notícias de Fafe, que nos vai ajudar na comunicação. Destacar também a disponibilidade para colaborar demonstrada pela nossa coletividade local, a União Columbófila Fafense. A estas que eu disse juntamos a Escola Profissional de Fafe e a Fafe TV, que referi anteriormente, e temos o leque dos nossos principais parceiros.

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A Exposição Nacional está regresso ao Minho. José Luís Barros aborda o tema e mostra orgulho pela atribuição da organização à cidade de Fafe.

Desde 1987, fará em janeiro do próximo ano 30 anos, que a região não acolhia um evento deste género, na altura foi na cidade de Guimarães. Que sentimento tem, enquanto columbófilo, ao ver novamente a organização no Minho?

JLB – A sensação generalizada dos nossos columbófilos era a de que, passe a expressão, já eram horas da Exposição regressar a esta região. Há 30 anos que não se realiza no Minho, nessa altura eu já era columbófilo, mas não me recordo de ter visitado a Exposição, passou-me um bocado ao lado. Agora temos novamente o evento cá e, de forma geral, os nossos associados e as pessoas que não estão ligadas à columbofilia com as quais temos falado, estão muito satisfeitas com a possibilidade de assistir e visitar a Exposição Nacional. Claro que quem vive mais para a zona Sul de Portugal vai ter mais dificuldades em vir cá, mas a descentralização traz estas vantagens e estes inconvenientes, ainda assim, considero que traz mais pontos positivos que negativos. Quando descentralizamos estamos a dar a oportunidade para que, em cada ano, outras pessoas possam ver e, ao mesmo tempo, estar presentes num evento desta magnitude. Em suma, há uma enorme satisfação pelo facto desta iniciativa ter lugar na nossa zona.

Como vai ser feita a divulgação da Exposição?

JLB – Teremos vários canais para esse fim. Localmente a imprensa está já a começar a fazer a primeira divulgação, através da saída de algumas entrevistas sobre o conhecimento da realização da Exposição em Fafe. Também o Gabinete de Imagem da C. M. Fafe está a preparar a difusão de informação, nos seus meios, sobre o evento e, logicamente, que iremos produzir cartazes e outdoors alusivos à iniciativa. Vamos ainda criar uma página na rede social Facebook que vai ser atualizada com todo o tipo de conteúdos inerentes à Exposição, destacando aqui a cidade de Fafe e as suas tradições, mas não só. Há mais ideias pensadas, mas que ainda têm de ser melhor desenvolvidas. O objetivo é fazer com que todas pessoas se sintam ainda mais motivadas a visitar o nosso espaço.

A escolha da seleção nacional que vai estar presente nas Olimpíadas, que vão decorrer em Bruxelas, na Bélgica em Janeiro de 2017, vai decorrer nesta Exposição. Este é um fator que dá ainda mais relevo e destaque ao evento?

JLB – Acho que sim. Esse dado traz um valor acrescido de interesse, podendo levar o público a aderir ainda mais. Conseguindo concretizar tudo o que está previsto, acho que poderemos fazer desta Exposição um marco a nível nacional, consumando um passo em frente na evolução do conceito do próprio evento. Esperamos que sirva de modelo, conforme as edições anteriores serviram para nós, e que deixe um legado para o futuro, para que aqueles que nos procederem consigam pegar em ideias desta 44ª edição e as possam melhorar, porque, no fundo, o primeiro objetivo é sempre fazer melhor do que aquilo que já foi feito.

Tem ideia, neste momento, de um número aproximado de pessoas que vão estar envolvidas na organização, para além dos elementos da ACD Braga?

JLB – Ainda não tenho um número aproximado das pessoas que vão estar envolvidas. Vamos ter algumas reuniões com os nossos parceiros na organização. Só depois disso é possível falar nesses números. Quero destacar a disponibilidade já demonstrada pela União Columbófila Fafense e por outras coletividades aqui do distrito de Braga, para ajudar no que for necessário. Há uma conjugação de esforços e de vontades no sentido de todos colaborarem para que o evento seja um sucesso.

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Olhando agora para a direção da ACD Braga. Podemos ver que é um corpo diretivo relativamente jovem, no que ao nível etário diz respeito. Que opinião tem sobre o associativismo jovem em Portugal?

JLB – Acho que precisamos de fazer alguma coisa para mudar o panorama geral do associativismo jovem no nosso país. Aqui, no nosso distrito, temos dado alguns passos nesse sentido. A direção da Associação pode servir de exemplo, porque é, de facto, jovem, no que à idade diz respeito, quando comparada com outras direções. Faz falta envolver todas as faixas etárias nos eventos e na Columbofilia em geral, porque, por vezes, há a necessidade de “refrescar” as ideias e de ter novas iniciativas. As mentalidades de hoje são diferentes e isso faz falta na nossa modalidade. Temos de procurar atrair as camadas mais jovens para as direções das Associações e para este desporto em geral, ao mesmo tempo que lhes damos o devido valor, pois só dessa forma é possível renovar o nosso desporto. Os jovens que entram na modalidade são em menor número, quando comparados com aqueles que saem e é isso que devemos tentar alterar.

Espera que este evento atraia esses jovens para a Columbofilia?

JLB – Sim, espero que a Exposição contribua muito para isso. O facto de nós ter-mos uma escola envolvida na organização é importante também nesse aspeto, pois vai permitir-nos chegar a outras instituições de ensino e, por consequência, estarmos próximos desse público mais novo. As atividades paralelas à Exposição que vão ser dinamizadas também têm como objetivo fazer essa promoção da modalidade junto da juventude. Quem sabe se através disto não conseguimos trazer novos praticantes para a Columbofilia. Quero salientar também o papel dos columbófilos mais experientes, porque é preciso saber receber os mais novos e dar-lhes condições e incentivo para que continuem a querer praticar a modalidade. Sem dúvida que temos de fazer alguma coisa no sentido de os “chamar” para este mundo.

Que projetos e ações de promoção da modalidade têm previstos para o fim-de-semana de 6 a 8 de janeiro de 2017?

JLB – Ainda vou ter alguns encontros com diretores de diversos agrupamentos de escolas da nossa área, mas, em princípio, vamos lançar o desafio para um concurso de fotografia, um de desenho e um de pintura, tendo como temática comum o pombo-correio. Isto será uma forma dos estudantes mostraram as suas capacidades nestas áreas, ao mesmo tempo que têm contacto com a realidade columbófila. Vamos tentar trazer ao Pavilhão Multiusos de Fafe o maior número possível de escolas, ao mesmo tempo que esperamos que muitos agrupamentos colaborem connosco. Temos prevista a realização de um Colóquio, subordinado a um tema que envolva columbofilia. Vai haver uma largada simbólica de, aproximadamente, 3000 pombos-correio na abertura oficial da Exposição. Vamos transmitir em direto no pavilhão, vídeos e reportagens produzidos pela organização, entre outras iniciativas que vão decorrer nesse fim de semana.   

A vertente social é uma marca deste evento. Que atividades estão pensadas dentro desse âmbito?

JLB – Nós queremos que todas as faixas etárias de pessoas, columbófilas ou não, visitem a Exposição. Vamos apostar forte numa boa divulgação do evento, para despertar a curiosidade do público. Durante a Exposição pretendemos proporcionar momentos culturais importantes. Por exemplo, vamos fazer a promoção da nossa gastronomia regional, do artesanato, dos jogos tradicionais – o típico jogo do pau, tão popular nesta zona, vamos ter uma atuação do rancho folclórico, vai haver uma exposição de trajes do Minho, entre outras “riquezas” do distrito de Braga e do município de Fafe que vão estar em contacto com o público. Temos um leque de atividades a desenvolver que vai fazer a diferença.

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O evento vai ter como “casa” o Pavilhão Multiusos de Fafe.

Ao nível das infraestruturas, o que considera que irá distinguir esta organização, em relação às edições anteriores? 

JLB – Todo o evento vai estar concentrado num só espaço, organizado de maneira a que o público consiga observar, de forma fácil e direta, a Exposição. O Pavilhão Multiusos de Fafe é uma nave única, pelo que, vamos procurar que os visitantes se sintam mais próximos daquilo que está exposto. O pavilhão dispõe de uma boa luminosidade e tem dois pisos superiores que contornam todo o piso 0, o local onde vai estar a decorrer a Exposição, estes dois pisos permitem que os visitantes possam ver tudo num plano superior. A nível protocolar vamos dar uma solenidade única aos diversos momentos que vão acontecer. O pavilhão permite também a colocação do ecrã gigante que vai estar a transmitir de forma contínua. Estas são algumas caraterísticas que podem elevar, em termos organizativos, esta Exposição Nacional.

Nota-se que ainda há columbófilos portugueses que valorizam mais o pombo-correio estrangeiro em detrimento do português. Partilha dessa opinião? Que ações podem ser dinamizadas com o intuito de alterar esta situação?

JLB – Isso, infelizmente, é uma realidade. Continuam-se a importar muito pombos-correio do estrangeiro e esquecemo-nos que nós cá, em Portugal, também temos excelentes pombos e isso tem-se visto pelos resultados que se vão obtendo em muitos eventos. A Federação Portuguesa de Columbofilia está a tentar contrariar essa tendência, através da valorização do nosso pombo. Essa ideia passa por cumprir, um pouco, aquilo que está estabelecido no Regulamento Desportivo Nacional, onde, na minha opinião, é defendido que todos os pombos que vão a uma prova devem ter a mesma igualdade de circunstâncias em termos de classificação. A criação da classificação do Pombo Ás é uma forma de, realmente, se dar um passo em frente neste sentido, dá o destaque à ave. Claro que continuamos a ver os nossos columbófilos muito preocupados com os campeonatos gerais e aí quem está em destaque são sempre eles, porque são os seus nomes que aparecem. Acho que neste aspeto os outros países estão à nossa frente, porque há uma maior valorização do pombo em detrimento do columbófilo. Ainda temos uma realidade diferente nesse campo, mas devemos evoluir no sentido de valorizar cada vez mais o pombo.

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Olhando para Olimpíadas, podemos ver que Portugal tem tido vários medalhados em edições anteriores. Acha que vamos ter pombos-correio portugueses no pódio?

JLB – Eu espero bem que sim. Estou muito confiante e acho que podemos ter excelentes resultados em Bruxelas. Na última Exposição Nacional, nós, ACD Braga, conseguimos apurar alguns pombos – correio para representar a seleção. Foi com agrado que vimos que, graças a eles, tivemos uma das melhores participações, em termos de resultados, dos últimos anos. Para isto é necessário que a FPC faça cumprir, na íntegra, o que está estabelecido em termos de regulamentos, de modo a que os pombos com condições para obter bons coeficientes estejam presentes no evento. Só desta maneira é que as Associações e a Federação conseguem estar representadas, ao seu melhor nível, nas Olimpíadas. Espero que haja um esforço conjunto de todas as entidades, para que os columbófilos permitam a participação dos seus melhores pombos.

Na perspetiva da organização. Que mensagem querem deixar aos columbófilos de Braga? E para os columbófilos do resto do país, que palavras gostavam de lhes dirigir?

JLB – Aos columbófilos de Braga, gostava de lhes dizer que nós, direção da ACD Braga, estamos muito felizes por nos ter sido atribuída esta organização. Estamos conscientes da responsabilidade que assumimos, mas estamos a fazê-lo acima de tudo por eles, porque dessa forma todos, sem exceção, terão a possibilidade de assistir a um evento que se realiza “em casa”. É a pensar neles e na columbofilia distrital e local que vamos dar o nosso melhor. Em contrapartida esperamos toda a sua colaboração, quer no apoio à organização, quer através da sua presença. Queremos mostrar que o distrito de Braga tem ideias e competências para ajudar a columbofilia a ser cada vez melhor. A nível nacional, gostava de fazer o convite para que todos venham a Fafe, entre 6 e 8 de janeiro de 2017. Esta cidade é considera “a sala de visitas do Minho” e queremos fazer jus a este slogan. Estou seguro de que quem vier, se vai sentir bem e, acima de tudo, vai ficar satisfeito com o que vai encontrar.

A abrir 2017, a columbofilia portuguesa concentra atenções em Fafe. Entre 6 e 8 de janeiro do próximo ano, a 44ª Exposição Nacional e Pré – Olímpica promete mostrar os melhores pombos-correio portugueses e dar aos visitantes um olhar privilegiado sobre a excelência do desporto columbófilo praticado em Portugal.

 

 

Pombo-correio de Portalegre vira “herói”

No final deste Campeonato Nacional de Fundo 2016, para além dos vencedores distritais, por zona e a nível nacional, ficam as estórias que ajudaram, e ajudam, a construir a história da columbofilia portuguesa. 

Ao seu pombal, em Cabeço de Vide, em pleno “coração” alentejano, no concelho de Fronteira, no distrito de Portalegre, chegou às 14:13:07, uma fêmea que tinha percorrido 628 307 kms. A chegada já era motivo de alegria para o seu dono, o columbófilo Nuno Micaelo, do Clube Columbófilo Asas de Portalegre, coletividade da Associação Columbófila do Distrito de Portalegre (ACD Portalegre), mas a média desta “ateta” , 1 356,692 m/m, colocou-a em destaque. O resultado é  1º do distrito, o 1º da zona 2 e  o 1º a nível nacional, na prova do passado sábado dia 18 de junho. 

A FPC foi entrevistar o columbófilo e toda a história vai merecer a sua atenção.

– Há quantos anos é columbófilo?

Nuno Micaelo (NM) – Sou columbófilo há 22 anos. Os primeiros pombos que anilhei foi em 1994.

– Como e quando é que decidiu entrar para o “mundo” da columbofilia? 

NM – Foi através de uns amigos, aqui na localidade de Cabeço de Vide, que eram mais velhos e que já tinham começado a participar em soltas. Isto é uma terra pequena, não há assim tantos divertimentos nem distrações, decidi começar a acompanhá-los, depois pedi uns borrachos, montei um pequeno pombal e entrei para este “mundo”.

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Escritores e poetas têm tendência a tornar o seu discurso mais glorioso quando narram histórias que contam travessias e feitos “heróicos”, neste caso, pegando nesse exemplo podemos dizer que este pombo-correio fez uma prova épica, com tons de superação e um final notável.

Nuno Micaelo revela o que aconteceu.

Olhando para o pombo-correio que ganhou a 2ª solta de Valencia del Cid. Ele tem uma história heroica de viagem… pedia-lhe que nos contasse?

NM- A pomba foi atacada por aves de rapina. Não sabemos onde, mas acho que foi perto do pombal, as marcas são visíveis. Talvez se tivesse sido a uma distância maior de “casa”, ele ainda tivesse pousado. À entrada do pombal, junto às grades, havia sangue, o que me leva a crer que não terá acontecido longe daqui.

– Podemos dizer que este é um “super-atleta”? Que expectativas tinha nele?

NM- Eu depositava algumas expectativas neste pombo-correio, porque esta fêmea teve um irmão, que também foi a Valência no dia 18 e chegou mais tarde, que já tinha marcado muito bem em fundo. Esta pomba também está a fazer boas provas. Há 15 dias enviei-a para uma prova da ACD Portalegre, com solta em Igualada, Barcelona, e fez o segundo melhor registo. Achei que agora estava em condições de participar na solta de Valência del Cid e inscrevi-a na equipa, ela correspondeu.

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As duas soltas do Campeonato Nacional de Fundo tiveram desfechos diferentes para o columbófilo, natural da terra conhecida pelas termas de Sulfúrea, e onde se crê que viveram descendestes da Família Vaz de Camões.

Olhando para a solta de dia 21 de maio. Que balanço faz? Quantos pombos enviou e quantos recebeu?

NM – Nem me fale dessa. Em 21 provas que encestei nesta campanha, posso dizer que, foi a que me correu pior. Tive muito mal no Fundo, por exemplo, esta pomba nem sequer foi. De resto tento ver o lado positivo, só perdi um pombo na solta, os que vieram chegaram muito atrasados. Tinha enviado 15 pombos-correio.

Nesta segunda solta quantos foram enviados (machos e fêmeas)?

NM – Antes desta prova, estava tentado em terminar a minha atividade columbófila. Com este resultado ainda estou a decidir o que vou fazer. Ia ser a final, portanto decidi enviar muitos pombos. Enviei os quinze na equipa, que é o limite. Depois mandei mais 30 a contar para o Pombo Ás. Por acaso escolhi bem porque os quatro primeiros que recebi foram da equipa. No total foram 45 pombos e, neste momento, já tenho 37, falta um da equipa e 7 do Pombo Ás.

Que balanço final faz do Campeonato Nacional de Fundo, especialmente da 2ª prova em que, segundo os resultados provisórios, irá ficar no 1º lugar a nível nacional, por zona e no distrito?

NM- Faço um balanço positivo, nesta segunda prova. Na primeira solta também tinha as expectativas elevadas e correu muito mal. No passado sábado – 18 de junho – as minhas ambições foram completamente superadas, foi muito bom. Nesta solta sabia que os pombos-correio estavam bem preparados. Enviei todos os meus pombos, estava à espera de um bom resultado.

Qual é a sua especialidade favorita: velocidade, meio – fundo ou fundo?

NM – Antes gostava muito de provas de velocidade e meio fundo, porque obtinha melhores resultados. Talvez tivesse receio de mandar os melhores pombos-correio para provas de Fundo. Há 3, 4 anos comecei a enviar os melhores pombos-correio, para marcarem, e , acho que agora possa dizer que já prefiro a especialidade de fundo.

Recorde a última solta do CNFundo, que decorreu em Albuixech, em Valência del Cid, no passado dia 18 de junho.

Nuno Micaelo revelou-nos mais alguns pormenores sobre a sua atividade columbófila.

 Ao nível da sua colónia. Quantos casais reprodutores tem? Quantos pombos voadores possui? Há alguma linha de pombos predominante na colónia?

NM – Tenho 15 casais reprodutores e comecei a campanha com 97 pombos-correio adultos, não tinha borrachos. Neste momento tenho cerca de 60 a voar. Há uns 9, 10 anos que um grande amigo meu do Crato, o Paulo Morais, me deu alguns reprodutores. Os avós maternos deste pombo que ficou em 1º lugar tinham-me sido dados por ele. Da parte paterna, os avós eram pombos-correio que o meu primo, Pedro Barradas, me tinha dado há vários anos. 70 a 80 % da minha colónia é à base dessas ofertas e desses cruzamentos.

Qual o sistema de jogo que utiliza? Ao natural, à viuvez ou outro, qual?

NM- Há 6, 7 anos construí um novo pombal e neste já posso praticar vários estilos, mas jogo, preferencialmente, à viuvez. Opto por colocar as fêmeas fechadas no xadrez, com os machos à frente no ninho, com o ninho semiaberto, depois, quando chegam das provas, juntam-se um pouco e ao fim de uma hora, ou duas, conforme a dureza do concurso, voltam a separar-se.

Quais são as rotinas de treino dos pombos-correio?

NM – Este ano fiz poucos treinos em linha. Durante a semana não faço esse tipo de treino porque não tenho disponibilidade horária. Fazem voo bi-diário, de manhã e à tarde, aumentando durante a semana de forma gradual até sexta-feira. Ao fim de semana tento sempre que os pombos-correio, que não participam em nenhum concurso, façam um treino em linha. A ACD Portalegre durante a campanha de 2016 fazia uns treinos que foram apoiados pela FPC, as soltas decorriam em vários locais e dava para os pombos-correio fazerem 1, 2 horas de voo e aí colocava a minha parte da colónia que não ia às provas, todas as semanas.

Em relação à alimentação dos pombos-correio, segue algum programa específico?

NM- Tenho os meus apontamentos por onde me regulo, depois depende de algumas coisas, mas, sobretudo das condições meteorológicas. Dentro do esquema que tenho definido faço sempre uns ajustes.

Para esta 2ª solta de Valência del Cid, que programa seguiram os pombos?

NM- Para lhe ser sincero, na semana que antecedeu essa prova (11-17 de junho), a alimentação até foi menos regulada do que o normal. Não tive grande preocupação porque, como lhe disse, era a última solta em que ia participar. Até fico surpreendido com isto. Às vezes com muito trabalho durante a semana, chega-se ao fim de semana e as coisas correm mal, depois quando investimos menos tempo a preparar a tudo, somos surpreendidos, como foi o meu caso, e tudo corre muito bem. É como lhe digo, eles seguiram o programa “normal” para a prova.

Ainda estão a decorrer as competições ao nível da associação? E ao nível da coletividade?

NM- Já terminámos o campeonato no fim-de-semana de 18 e 19 de junho. Depois desta prova não devo ter descido, estava em 4º geral ao nível do Fundo no distrito, em 3º no meio fundo e na velocidade não me recordo. Na classificação do Clube Columbófilo Asas de Portalegre, fiquei em 4º no Fundo.

Que balanço faz da sua companha este ano nessas provas?

NM – Fiquei agradado com a campanha de 2016. Não estava à espera que fosse tão boa, porque, possivelmente, foi a minha melhor de sempre. Foi bom a nível do clube, do distrito e nacional.

– Qual é a sensação de ter um pombo que é o primeiro classificado do distrito de Portalegre, o primeiro na zona 2 e o 1º a nível nacional?

NM – É ótimo. É espetacular saber que no meio de tantos milhares de pombos-correio, temos um, que consegue vencer os outros todos. Fica-se com um carinho ainda mais especial na ave.

Essa fêmea, que tratamento está a receber?

NM –Ela vinha com menos 2 penas na asa direita e vinha a sangrar. Tive de tratar dela. Agora não se nota nada, já está, de forma perfeitamente normal, junto aos outros pombos-correio.

– O que é que sente cada vez que recebe um pombo vindo de um solta?

NM- É uma grande alegria. Sabemos que os pombos-correio fazem um esforço imenso para chegar “ a casa” e isso até nos deixa comovidos. Há alguns cenários melhores, outros piores, mas os columbófilos sabem que cada chegada que um pombo faz é uma luta que eles travam para chegar até ao seu pombal.

– Já está a pensar na próxima época? Que planos tem para o seu futuro na columbofilia?

NM – Andava tentado em terminar esta atividade. Com este resultado não sei, fiquei surpreendido e deixou-me a pensar sobre o que vou fazer. Ainda estou a ponderar o futuro. Há muita gente a dizer para continuar, mas, sinceramente, não sei ainda.

Ainda a decidir se continua ligado à modalidade, Nuno Micaelo teve uma agradável surpresa e agora tem um “dilema” em mãos: continuar e tentar repetir o feito ou desistir e sair coroado como o grande destaque da 2ª solta de Valência del Cid. A resposta só o columbófilo a pode dar, mas para a posterioridade fica o exemplo de superação, luta e esforço dado pela sua pomba.

Terceiro treino oficial, já a contar para o Pombo Ás, decorreu ontem em Mira

Decorreu ontem de manhã o terceiro treino oficial para os Campeonatos Internacionais de Mira 2016, o primeiro a contar para o pombo Ás. Tendo como “quartel -general” o Columbódromo Internacional Gaspar Vila Nova, em Portomar, Mira, os pombos-correio, provenientes de 19 países diferentes, percorreram uma distância de 120 km.

A solta teve que ser retardada em relação à hora inicialmente prevista, porque, no percurso, foram detetadas situações de nevoeiro bastante denso. Os borrachos foram soltos às 08:50 h, com céu limpo, vento nulo e boa visibilidade. Os pombos tiveram uma excelente orientação, saindo imediatamente do local de solta em bando compacto.

Deixamos algumas fotos do treino.

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Na classificação de todos os pombos, o melhor registo foi para o pombo espanhol, com a anilha nº 165489/16, da columbófila espanhola Natalea Aldea. Chegou às 10:20:34.2, fazendo uma média de 1324, 942 . O melhor português, na mesma tabela classificativa, ficou no 4º lugar. Com a anilha nº 6226502/16, este “atleta” pertence a Ricardo Faria e chegou às 10:21:04.9, com uma média de 1317, 499.

Mais algumas imagens do treino.

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Na classificação para o Grande Prémio FCI Portugal, o 1º pombo é italiano. Tem a anilha nº100805/16 e pertence  à equipa italiana, Team 1 Elite – Mary Yang. Chegou às 10:20:55.0, fazendo uma média 1319,890. O melhor pombo português ficou logo atrás, na segunda posição. Com a anilha nº 6226508/16, pertence ao columbófilo Ricardo Faria. Entrou às 10:21:04.9, o que equivale a uma média de 1317,499.

No Campeonato Europeu, o primeiro pombo também é de Itália. Com a anilha nº 084160/16, pertence à columbófila do país dos Alpes, Carrubba Donovan. Fez uma média de 1295, 360, dando entrada às 10:22:38.3. O melhor pombo lusitano ficou no 2º lugar. Com a anilha nº 6290502/16, pertence à equipa Regal Lofts e chegou às 10:22:38.7, fazendo uma média de 1295, 267.

Um vídeo com os momentos que marcaram o 3º treino oficial para os Campeonatos Internacionais.

Na classificação dos pombos -correio inscritos para o Campeonato Europeu de Jovens, o 1º no treino de ontem é de “nuestros hermanos”. Com a anilha nº 165489/16, pertence à columbófila espanhola Natalia Aldea. Chegou às 10:20:34.2, fazendo um média de 1324, 942, algo que lhe valeu o melhor registo de todas as classificações. No que aos portugueses diz respeito, o melhor classificado fez o 5º registo da manhã. Pertence à columbófila Rita Sá, chegou às 10:22:09.2, fazendo uma média de 1302,178.

Na Liga Nacional dos Campeões, onde só participam pombos portugueses, o melhor registo da sessão foi para o pombo com a anilha nº 6313548/16, da equipa Ilídio & Dinis. Chegou às 10:21:49.3, o que equivale a uma média de 1306,881.

Pode consultar todas as classificações de forma detalhada e completa no endereço: http://www.fpcolumbofilia.pt/Mira2016/main05.htm

O blog e o site da FPC vão continuar a trazer-lhe novidades de Mira. Continue atento às publicações e vá “voando” connosco no mundo da columbofilia.